Escolher entre Tesouro Direto ou CDB é uma dúvida que aparece cedo para quem começa na renda fixa. Estudando os dois, percebi que a resposta não é “um é melhor”, e sim entender em que cada um leva vantagem. Reuni aqui os critérios que usei para comparar, com uma conta honesta no fim.

Comparativo entre Tesouro Direto ou CDB

O que é Tesouro Direto e o que é CDB?

O Tesouro Direto é o programa que vende títulos públicos do governo federal para pessoas físicas, online e a partir de cerca de R$ 30. Você empresta ao Tesouro Nacional e recebe juros. O tipo mais usado para começar é o Tesouro Selic.

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por bancos. Você empresta ao banco e recebe juros, normalmente expressos como um percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), a taxa que os bancos usam entre si e que anda coladinha na Selic.

Qual é mais seguro: Tesouro ou CDB?

Os dois são de baixo risco, mas a proteção vem de lugares diferentes. O Tesouro Direto é garantido pelo próprio governo federal, considerado o devedor mais sólido do país. O CDB é protegido pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que devolve até R$ 250 mil por CPF e por instituição caso o banco quebre.

Na prática, para valores dentro do limite do FGC, o CDB de um banco também é bastante seguro. Acima desse limite, ou para quem prefere a garantia soberana, o Tesouro leva vantagem no critério segurança.

Qual tem mais liquidez?

Liquidez é a facilidade de resgatar sem perder dinheiro. O Tesouro Selic tem liquidez diária: dá para vender a qualquer dia útil de volta ao Tesouro. Já os CDBs variam bastante: existem CDBs de liquidez diária, mas muitos têm carência e só devolvem no vencimento. Se você pode precisar do dinheiro a qualquer momento, confira esse detalhe antes.

Vale lembrar que títulos prefixados e híbridos, tanto no Tesouro quanto em CDB, oscilam de preço se vendidos antes do vencimento. Isso é a marcação a mercado, que vale conhecer para não se assustar com o extrato.

E a rentabilidade: Tesouro ou CDB rende mais?

Como o CDB tem um risco um pouco maior que o do Tesouro, ele costuma precisar oferecer mais para atrair o investidor. No pós-fixado, o Tesouro Selic paga basicamente a Selic, enquanto um CDB é expresso como percentual do CDI, por exemplo “105% do CDI” ou “95% do CDI”. Aí entra a conta que mais confunde iniciante.

CDB precisa render mais que 100% do CDI para empatar com o Tesouro Selic?

Depende, e a resposta honesta tem duas partes. Sobre a rentabilidade bruta, sim: como o CDI anda praticamente igual à Selic, um CDB que paga 100% do CDI rende quase o mesmo que o Tesouro Selic antes de custos. Para superar, o CDB precisa pagar acima de 100% do CDI.

Mas há um detalhe a favor do CDB: o Tesouro Direto cobra taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o valor aplicado (isenta até certo saldo no Tesouro Selic), enquanto muitos CDBs não têm essa taxa. Ou seja, um CDB de 100% do CDI pode empatar ou superar levemente o Tesouro Selic justamente por não pagar custódia. A conta real depende do valor e da corretora.

A tributação é diferente entre eles?

Não. Tesouro Direto e CDB seguem a mesma tabela regressiva de Imposto de Renda: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Os dois também têm IOF se você resgatar em menos de 30 dias. Nesse quesito eles empatam.

O come-cotas afeta Tesouro ou CDB?

Não afeta nenhum dos dois. O come-cotas é aquela antecipação semestral de IR que acontece em fundos de investimento. Como Tesouro Direto e CDB são títulos, e não fundos, o imposto só é cobrado no resgate ou no vencimento. Esse é um ponto que muita gente confunde, então vale guardar.

Exemplo prático: R$ 5.000 por um ano

Vamos comparar com números redondos, só para ver a lógica. Suponha Selic e CDI a 10,5% ao ano e aplicação de R$ 5.000 por 12 meses.

  • Tesouro Selic (100% da Selic): rendimento bruto de R$ 525. Descontando a custódia de 0,20% (cerca de R$ 10) e o IR de 20% sobre o rendimento (cerca de R$ 103), sobram aproximadamente R$ 412 líquidos.
  • CDB a 100% do CDI, sem custódia: rendimento bruto de R$ 525, IR de 20% (cerca de R$ 105), líquido de aproximadamente R$ 420.
  • CDB a 110% do CDI: rendimento bruto de R$ 577,50, IR de 20% (cerca de R$ 115), líquido de aproximadamente R$ 462.

A leitura: com 100% do CDI, o CDB empatou ou ficou um pouquinho à frente por não pagar custódia; com 110% do CDI, abriu vantagem. Já o Tesouro entrega a garantia soberana e a liquidez diária garantida. É essa troca que você está escolhendo.

Prós e contras: Tesouro Direto ou CDB

Tesouro Direto costuma se destacar em

  • Garantia soberana do governo, sem depender do FGC.
  • Liquidez diária garantida no Tesouro Selic.
  • Padronização: o mesmo título rende igual em qualquer corretora.

CDB costuma se destacar em

  • Potencial de render acima de 100% do CDI.
  • Ausência da taxa de custódia da B3 em muitos casos.
  • Variedade de prazos e de percentuais do CDI entre bancos.

Para comparar CDB com outros produtos isentos, como LCI e LCA, dá uma olhada no estudo CDB, LCI, LCA ou Tesouro. E se ainda está deixando dinheiro parado, por que sair da poupança ajuda a entender o ponto de partida.

Perguntas rápidas

Tesouro Direto ou CDB é melhor para a reserva de emergência?

Para reserva, o mais comum é priorizar liquidez e baixa oscilação. O Tesouro Selic e os CDBs de liquidez diária de 100% do CDI atendem bem. Fuja de prazos longos e carência para essa finalidade.

Dá para ter os dois na carteira?

Dá, e muita gente faz isso. Você pode usar o Tesouro Selic pela liquidez garantida e um CDB de percentual maior do CDI para uma parte que não vai precisar tão cedo. Não é obrigado a escolher só um.

O CDB de banco pequeno é arriscado?

Bancos menores costumam pagar percentuais maiores do CDI justamente por terem risco maior. Dentro do limite de R$ 250 mil por CPF e instituição, o FGC cobre. Passou do limite, o risco fica por sua conta.

Referências para se aprofundar

Este conteúdo é informativo e reflete um estudo pessoal. Não é sugestão de investimento.